Para continuar com o assunto dos discursos inspirativos, escolho outro muito famoso mas não tão conhecido. Como é isto? Pois é, o discurso é famoso, mas a história dele não tanto. Então aproveito para traduzir o discurso (ou os discursos, como vocês verão) e contar um pouco sua interessante história.
De fato, o discurso originou-se como uma coluna de opinião que a jornalista Mary Theresa Schmich publicou no Chicago Tribune no 1ro de junho de 1997 e por engano foi atribuída a um discurso de cerimônia de formatura dito por Kurt Vonnegut. É possível, pela similitude do assunto e do tom, que esteja baseado no poema Desiderata de 1927 do escritor Max Ehrmann, que foi mantido inédito durante toda sua vida e foi publicado só depois de ter sido encontrado no leito de morte de Adlai Stevenson em 1965, conseguindo fama a partir de umas gravações de começos dos anos 1970.
Comecemos pelo mais velho. Esta é a tradução de Desiderata:
Ande placidamente entre o ruído e a pressa, e lembre-se da paz que pode ter no silêncio. No possível sem se render fique em bons términos com todas as pessoas. Fale a sua verdade com calma e claramente; e escute aos outros, ainda os chatos e os ignorantes também têm sua história.
Evite as pessoas barulhentas e agressivas, são irritantes ao espírito. Se você se compara com outros, pode se tornar vaidoso ou amargo; pois sempre terá pessoas maiores e menores a você.
Curta suas conquistas tanto como seus planos. Fique interessado em sua própria carreira, embora simples; é uma possessão real na mudança fortuita do tempo.
Exercite a cautela em seus negócios comerciais; já que o mundo está cheio de trapaças. Mais não deixe que isso ofusque você da virtude que tem; muitas pessoas lutam por ideais altos; e em todos lados a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Especialmente, não finja afeição. Também não seja cínico com o amor; pois na frente de toda aridez e desencanto é tão perene como a grama.
Aceite bondosamente o conselho dos anos, ceda com dignidade às coisas da juventude. Alimente a força do espírito para ser proteção no repentino azar. Porem não se angustie com imaginações escuras. Muitos temores nascem da fatiga e a solidão.
Além da disciplina saudável, seja gentil com você mesmo. Você é uma criança do universo, não menos que as árvores e as estrelas; você tem o direito de estar aqui.
Embora para você seja claro ou não, sem dúvida o universo se desenrola como deve. Portanto, esteja em paz com Deus, como seja que você o conceba, e sejam qualquer os trabalhos e aspirações, na barulhenta confusão da vida mantenha a paz em sua alma. Além de toda sua farsa e tédio e sonhos partidos, ainda é um mundo bonito.
Seja alegre.
Batalhe por ser feliz.
Mas voltemos para "Use filtro Solar" e sua lenda urbana que o confundiu com um discurso. O nome original da matéria foi: "Conselhos, assim como juventude, provavelmente sejam desperdiçados pelos jovens" (Advice, like youth, probably just wasted on the young) porque Mary Schmich a pensou como os conselhos que ela diria para os estudantes no discurso de formatura. Pela internet, a cadeias de correios eletrônicos a espalharam como um discurso de formatura do MIT atribuído ao Kurt Vonnegut e, embora as explicações e provas oferecidas pela autora, já para 1999 tinha virado lenda urbana.
Além de toda esta controvérsia, no mesmo ano 1999 o diretor australiano Baz Luhrmann produziu um álbum chamado "Something for Everybody" (Algo para todos) com novas versões de músicas usadas em seus filmes, e usou uma versão remixe da música de Rozalla "Everybody's Free (To Feel Good)"/"Todos somos livres (para nos sentir bem)" de 1991 como base musical para a letra daquela matéria.
A partir desse momento surgiram milhares de versões desta música, que foi usada como parte da trilha sonora de William Shakespeare's Romeo + Juliet de 2007 e até a agência de publicidade brasileira DM9DDB usou a música para uma publicidade. A narração foi traduzida a várias línguas e virou um sucesso absoluto no mundo tudo.
Esta é a tradução da matéria original feita pelo Pedro Bial em 2003 e exibida no programa Fantástico da TV Globo:
Senhoras e senhores da turma de 1997:
Usem filtro solar.
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria o filtro solar. Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência, já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece. Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos, e perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente. E como você realmente estava com tudo em cima, Você não está gordo ou gorda.
Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você, as suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele. É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance, mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio
Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer. Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer. E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
E não espere que ninguém segure a sua barra. Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite.
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viernes, 10 de agosto de 2012
miércoles, 28 de diciembre de 2011
Internacionalização da Amazonia
Sabem o que são as lendas urbanas?
São histórias com características sobrenaturais que envolvem pessoas famosas ou incluem algum evento importante e que por se repetirem de boca em boca cotidianamente permanecem na cultura popular. A maioria destas histórias misturam fatos reais com ficções, por isso apresentam muitas dúvidas, e é difícil achar sua origem ou investigar sua veracidade.
Com a massificação da Internet, as lendas urbanas se multiplicaram nas correntes de correio eletrônico, se traduziram a outras línguas e chegaram aos blogs de milhares de redatores pelo mundo todo.
Neste caso, esta lenda urbana na realidade nasceu pelo desconhecimento e confusão de muitos dados. Mas o bom é que a mensagem positiva que transmite permaneceu além das dúvidas e os mistérios.
Eu acredito que é uma dessas histórias que deveria transcender a soleira das lendas urbanas, por isso compartilho ela aqui com vocês.
Este material chamado "Internacionalização do Mundo" foi apresentado em uma palestra realizada em Novembro de 2007 na universidade de Texas-Pan American.
O discurso foi escrito pelo Cristovam Buarque que é professor com Doutorado em Economia da Sorbonne, foi Reitor da Universidade de Brasília e Ministro de Educação do primeiro governo de Lula em 2003, atualmente é Senador Federal e tem mais de 20 livros publicados.
Este discurso está incluído no livro "100 Discursos Históricos Brasileiros" de Carlos Figueiredo.
As personagens desta história que dão testemunha da verdade deste discurso são:
* Olga, da tribo Kumaruman-Amapá,
* Xauane, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Ubiranan, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Eveline Ofugi, estudante do Distrito Federal,
* Maria das Dores, da Tribo Amapá,
* Raimundo, da Tribo Arapium-Bahia,
* Gisela Mattoso, Advogada, e
* Emília Queiroga, Pesquisadora e educadora.
Emília Queiroga: “Eu na época, eu era a representante para América Latina do State of the World Forum. Que esse foro que acontece mundial onde se discute o estado do mundo. E quem está frente desse foro é Mikhail Gorbachev, com Mauricio Strong do Conselho da Terra, do Earth Council da Costa Rica, né? Onde se encontraram para montar exatamente um grande foro e convidando pessoas do mundo inteiro para debater temas de interesse mundial.”
Gisela Mattoso: “Eu fiquei muito feliz de ter tido a sorte de estar lá naquele exato momento, naqueles dias do fórum, setembro de 2000.”
Emília Queiroga: “Eu era responsável na época por organizar uma comissão de pessoas aqui do Brasil. Empresários, políticos, né? Pessoas que realmente pudessem fazer diferença no foro. E foi o que eu fiz. E na minha lista logicamente estava o senador Cristovam.”
Gisela Mattoso: “O senador Cristovam que estava lá participando desse foro, foi convidado por um grupo de universitários através da Universidade de Nova Iorque, talvez porque eles tivessem tomado conhecimento, alguém me disse isso, que o senador era uma pessoa que valeria a pena ser ouvida, né? E então fizeram um convite para que ele participasse de um debate. Levantou um estudante universitário e fez a seguinte pergunta ao senador: O que ele acharia como humanista, o que ele acharia se a Amazônia fosse internacionalizada? Tendo em vista o seu papel de reserva ambiental necessário para o mundo todo, né? Foi aí então que aconteceu um desses momentos raros e bonitos que a gente guarda para sempre.”
Cristovam: “Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro simplesmente teria dito que era contra a internacionalização da Amazônia.”
Olga lê: “Por mais que nossos governos não tenham um devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.”
Cristovam: “Mas respondi que como humanista, sintindo o risco da degradação ambiental que pesa sobre a Amazônia, eu até podia imaginar a internacionalização. Mas também a internacionalização de todo o mais que têm importância para a humanidade. Porque se a Amazônia sob a ótica humanista deve ser internacionalizada, então internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.”
Maria das Dores lê: “O petróleo é tão importante para o bienestar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro.”
Cristovam: “Mas apesar disso, os donos das reservas de petróleo sentem-se no direito para aumentar ou diminuir a extrasão de petróleo, subir ou baixar o seu preço. E os ricos do mundo sentem-se no direito de queimar este imenso patrimônio da humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado, não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos...”
Xauane lê: “Ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.”
Cristovam: “Mas queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é o guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que o patrimônio cultural, seja natural, seja cultural possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonés decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre, antes disso aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o mesmo encontro em que me fizeram a pergunta as Nações Unidas reunião o Foro do Milênio, mas alguns presidentes tiveram dificuldades de comparecer ao encontro por constrangimentos que sufreram nas fronteiras dos Estados Unidos. Por isso, eu disse lá mesmo em Nova Iorque, que como sede das Nações Unidas, Nova Iorque deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Mas também Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade com sua beleza específica, com sua parte da história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia pelo risco de deixá-la nas mão de brasileiros, tudo bem, mas internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos até porque os americanos já demonstraram que são capazes de usar essas armas provocando uma destruição milhares de vezes maior do que a destruição provocada pelas queimadas feitas nas florestas do Brasil. Em seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos tem defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.”
Eveline lê: “Começemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha a posibilidade de ir a escola.”
Cristovam: “Internacionalizemos as crianças. Tratando-as todas elas, não importando o país onde nasceram como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes do mundo, tratarem as crianças pobres do mundo...”
Ubiranan lê: “Como patrimônio da humanidade...”
Cristovam: “Eles não vão deixar que elas trabalhem quando deveriam estudar nem que morram quando deveriam viver. Como humanista eu aceito...”
Raimundo lê: “Defender a internacionalização do mundo...”
Cristovam: “Mas enquanto o mundo me tratar como brasileiro, eu lutarei para que a Amazônia seja nossa. E só nossa!”
Gisela Mattoso, comenta: “Depois disso, não houve debate.”
Emília Queiroga acrescenta: “Acredito que as coisas que tem força, elas tem força por si próprias, é inevitável o impacto exponencial.”
Gisela Mattoso: “Achei que eu iria ouvir palavras como fronteira, soldados, policiamento, né? e tudo, e nenhuma palavra no sentido bélico assím surgiu naquele momento. Aqui que eu fiquei realmente assím com a alma lavada. Foi um momento muito especial e eu fiquei muito feliz e orgulhosa de ver um brasileiro alí dando uma resposta com tamanha sabedoria.”
O vídeo que está a seguir demonstra que o discurso existiu, que não é apenas uma lenda urbana com uma linda moral, porém foi um fato que aconteceu na realidade.
Como diz o dito popular, não todo o que brilha é ouro. E como disse Fedro, o escritor de fábulas romano: “Coisas não são sempre como parecem, a primeira aparição engana muitos. A inteligência de alguns é perceber o que foi cuidadosamente escondido.”
Investiguem sempre, não fiquem só com uma opinião de alguma coisa, perguntem sempre e nunca esgotem sua curiosidade.
São histórias com características sobrenaturais que envolvem pessoas famosas ou incluem algum evento importante e que por se repetirem de boca em boca cotidianamente permanecem na cultura popular. A maioria destas histórias misturam fatos reais com ficções, por isso apresentam muitas dúvidas, e é difícil achar sua origem ou investigar sua veracidade.
Com a massificação da Internet, as lendas urbanas se multiplicaram nas correntes de correio eletrônico, se traduziram a outras línguas e chegaram aos blogs de milhares de redatores pelo mundo todo.
Neste caso, esta lenda urbana na realidade nasceu pelo desconhecimento e confusão de muitos dados. Mas o bom é que a mensagem positiva que transmite permaneceu além das dúvidas e os mistérios.
Eu acredito que é uma dessas histórias que deveria transcender a soleira das lendas urbanas, por isso compartilho ela aqui com vocês.
Este material chamado "Internacionalização do Mundo" foi apresentado em uma palestra realizada em Novembro de 2007 na universidade de Texas-Pan American.
O discurso foi escrito pelo Cristovam Buarque que é professor com Doutorado em Economia da Sorbonne, foi Reitor da Universidade de Brasília e Ministro de Educação do primeiro governo de Lula em 2003, atualmente é Senador Federal e tem mais de 20 livros publicados.
Este discurso está incluído no livro "100 Discursos Históricos Brasileiros" de Carlos Figueiredo.
As personagens desta história que dão testemunha da verdade deste discurso são:
* Olga, da tribo Kumaruman-Amapá,
* Xauane, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Ubiranan, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Eveline Ofugi, estudante do Distrito Federal,
* Maria das Dores, da Tribo Amapá,
* Raimundo, da Tribo Arapium-Bahia,
* Gisela Mattoso, Advogada, e
* Emília Queiroga, Pesquisadora e educadora.
Emília Queiroga: “Eu na época, eu era a representante para América Latina do State of the World Forum. Que esse foro que acontece mundial onde se discute o estado do mundo. E quem está frente desse foro é Mikhail Gorbachev, com Mauricio Strong do Conselho da Terra, do Earth Council da Costa Rica, né? Onde se encontraram para montar exatamente um grande foro e convidando pessoas do mundo inteiro para debater temas de interesse mundial.”
Gisela Mattoso: “Eu fiquei muito feliz de ter tido a sorte de estar lá naquele exato momento, naqueles dias do fórum, setembro de 2000.”
Emília Queiroga: “Eu era responsável na época por organizar uma comissão de pessoas aqui do Brasil. Empresários, políticos, né? Pessoas que realmente pudessem fazer diferença no foro. E foi o que eu fiz. E na minha lista logicamente estava o senador Cristovam.”
Gisela Mattoso: “O senador Cristovam que estava lá participando desse foro, foi convidado por um grupo de universitários através da Universidade de Nova Iorque, talvez porque eles tivessem tomado conhecimento, alguém me disse isso, que o senador era uma pessoa que valeria a pena ser ouvida, né? E então fizeram um convite para que ele participasse de um debate. Levantou um estudante universitário e fez a seguinte pergunta ao senador: O que ele acharia como humanista, o que ele acharia se a Amazônia fosse internacionalizada? Tendo em vista o seu papel de reserva ambiental necessário para o mundo todo, né? Foi aí então que aconteceu um desses momentos raros e bonitos que a gente guarda para sempre.”
Cristovam: “Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro simplesmente teria dito que era contra a internacionalização da Amazônia.”
Olga lê: “Por mais que nossos governos não tenham um devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.”
Cristovam: “Mas respondi que como humanista, sintindo o risco da degradação ambiental que pesa sobre a Amazônia, eu até podia imaginar a internacionalização. Mas também a internacionalização de todo o mais que têm importância para a humanidade. Porque se a Amazônia sob a ótica humanista deve ser internacionalizada, então internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.”
Maria das Dores lê: “O petróleo é tão importante para o bienestar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro.”
Cristovam: “Mas apesar disso, os donos das reservas de petróleo sentem-se no direito para aumentar ou diminuir a extrasão de petróleo, subir ou baixar o seu preço. E os ricos do mundo sentem-se no direito de queimar este imenso patrimônio da humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado, não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos...”
Xauane lê: “Ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.”
Cristovam: “Mas queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é o guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que o patrimônio cultural, seja natural, seja cultural possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonés decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre, antes disso aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o mesmo encontro em que me fizeram a pergunta as Nações Unidas reunião o Foro do Milênio, mas alguns presidentes tiveram dificuldades de comparecer ao encontro por constrangimentos que sufreram nas fronteiras dos Estados Unidos. Por isso, eu disse lá mesmo em Nova Iorque, que como sede das Nações Unidas, Nova Iorque deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Mas também Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade com sua beleza específica, com sua parte da história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia pelo risco de deixá-la nas mão de brasileiros, tudo bem, mas internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos até porque os americanos já demonstraram que são capazes de usar essas armas provocando uma destruição milhares de vezes maior do que a destruição provocada pelas queimadas feitas nas florestas do Brasil. Em seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos tem defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.”
Eveline lê: “Começemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha a posibilidade de ir a escola.”
Cristovam: “Internacionalizemos as crianças. Tratando-as todas elas, não importando o país onde nasceram como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes do mundo, tratarem as crianças pobres do mundo...”
Ubiranan lê: “Como patrimônio da humanidade...”
Cristovam: “Eles não vão deixar que elas trabalhem quando deveriam estudar nem que morram quando deveriam viver. Como humanista eu aceito...”
Raimundo lê: “Defender a internacionalização do mundo...”
Cristovam: “Mas enquanto o mundo me tratar como brasileiro, eu lutarei para que a Amazônia seja nossa. E só nossa!”
Gisela Mattoso, comenta: “Depois disso, não houve debate.”
Emília Queiroga acrescenta: “Acredito que as coisas que tem força, elas tem força por si próprias, é inevitável o impacto exponencial.”
Gisela Mattoso: “Achei que eu iria ouvir palavras como fronteira, soldados, policiamento, né? e tudo, e nenhuma palavra no sentido bélico assím surgiu naquele momento. Aqui que eu fiquei realmente assím com a alma lavada. Foi um momento muito especial e eu fiquei muito feliz e orgulhosa de ver um brasileiro alí dando uma resposta com tamanha sabedoria.”
O vídeo que está a seguir demonstra que o discurso existiu, que não é apenas uma lenda urbana com uma linda moral, porém foi um fato que aconteceu na realidade.
Como diz o dito popular, não todo o que brilha é ouro. E como disse Fedro, o escritor de fábulas romano: “Coisas não são sempre como parecem, a primeira aparição engana muitos. A inteligência de alguns é perceber o que foi cuidadosamente escondido.”
Investiguem sempre, não fiquem só com uma opinião de alguma coisa, perguntem sempre e nunca esgotem sua curiosidade.
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