miércoles, 28 de diciembre de 2011

Internacionalização da Amazonia

Sabem o que são as lendas urbanas?
São histórias com características sobrenaturais que envolvem pessoas famosas ou incluem algum evento importante e que por se repetirem de boca em boca cotidianamente permanecem na cultura popular. A maioria destas histórias misturam fatos reais com ficções, por isso apresentam muitas dúvidas, e é difícil achar sua origem ou investigar sua veracidade.
Com a massificação da Internet, as lendas urbanas se multiplicaram nas correntes de correio eletrônico, se traduziram a outras línguas e chegaram aos blogs de milhares de redatores pelo mundo todo.

Neste caso, esta lenda urbana na realidade nasceu pelo desconhecimento e confusão de muitos dados. Mas o bom é que a mensagem positiva que transmite permaneceu além das dúvidas e os mistérios.
Eu acredito que é uma dessas histórias que deveria transcender a soleira das lendas urbanas, por isso compartilho ela aqui com vocês.

Este material chamado "Internacionalização do Mundo" foi apresentado em uma palestra realizada em Novembro de 2007 na universidade de Texas-Pan American.
O discurso foi escrito pelo Cristovam Buarque que é professor com Doutorado em Economia da Sorbonne, foi Reitor da Universidade de Brasília e Ministro de Educação do primeiro governo de Lula em 2003, atualmente é Senador Federal e tem mais de 20 livros publicados.
Este discurso está incluído no livro "100 Discursos Históricos Brasileiros" de Carlos Figueiredo.
As personagens desta história que dão testemunha da verdade deste discurso são:
* Olga, da tribo Kumaruman-Amapá,
* Xauane, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Ubiranan, da Tribo Pataxó-Bahia,
* Eveline Ofugi, estudante do Distrito Federal,
* Maria das Dores, da Tribo Amapá,
* Raimundo, da Tribo Arapium-Bahia,
* Gisela Mattoso, Advogada, e
* Emília Queiroga, Pesquisadora e educadora.

Emília Queiroga: “Eu na época, eu era a representante para América Latina do State of the World Forum. Que esse foro que acontece mundial onde se discute o estado do mundo. E quem está frente desse foro é Mikhail Gorbachev, com Mauricio Strong do Conselho da Terra, do Earth Council da Costa Rica, né? Onde se encontraram para montar exatamente um grande foro e convidando pessoas do mundo inteiro para debater temas de interesse mundial.”
Gisela Mattoso: “Eu fiquei muito feliz de ter tido a sorte de estar lá naquele exato momento, naqueles dias do fórum, setembro de 2000.”
Emília Queiroga: “Eu era responsável na época por organizar uma comissão de pessoas aqui do Brasil. Empresários, políticos, né? Pessoas que realmente pudessem fazer diferença no foro. E foi o que eu fiz. E na minha lista logicamente estava o senador Cristovam.”
Gisela Mattoso: “O senador Cristovam que estava lá participando desse foro, foi convidado por um grupo de universitários através da Universidade de Nova Iorque, talvez porque eles tivessem tomado conhecimento, alguém me disse isso, que o senador era uma pessoa que valeria a pena ser ouvida, né? E então fizeram um convite para que ele participasse de um debate. Levantou um estudante universitário e fez a seguinte pergunta ao senador: O que ele acharia como humanista, o que ele acharia se a Amazônia fosse internacionalizada? Tendo em vista o seu papel de reserva ambiental necessário para o mundo todo, né? Foi aí então que aconteceu um desses momentos raros e bonitos que a gente guarda para sempre.”

Cristovam: “Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro simplesmente teria dito que era contra a internacionalização da Amazônia.”
Olga lê: “Por mais que nossos governos não tenham um devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.”

Cristovam: “Mas respondi que como humanista, sintindo o risco da degradação ambiental que pesa sobre a Amazônia, eu até podia imaginar a internacionalização. Mas também a internacionalização de todo o mais que têm importância para a humanidade. Porque se a Amazônia sob a ótica humanista deve ser internacionalizada, então internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.”
Maria das Dores lê: “O petróleo é tão importante para o bienestar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro.”

Cristovam: “Mas apesar disso, os donos das reservas de petróleo sentem-se no direito para aumentar ou diminuir a extrasão de petróleo, subir ou baixar o seu preço. E os ricos do mundo sentem-se no direito de queimar este imenso patrimônio da humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado, não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos...”
Xauane lê: “Ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.”

Cristovam: “Mas queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França. Cada museu do mundo é o guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que o patrimônio cultural, seja natural, seja cultural possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonés decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre, antes disso aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o mesmo encontro em que me fizeram a pergunta as Nações Unidas reunião o Foro do Milênio, mas alguns presidentes tiveram dificuldades de comparecer ao encontro por constrangimentos que sufreram nas fronteiras dos Estados Unidos. Por isso, eu disse lá mesmo em Nova Iorque, que como sede das Nações Unidas, Nova Iorque deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Mas também Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade com sua beleza específica, com sua parte da história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia pelo risco de deixá-la nas mão de brasileiros, tudo bem, mas internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos até porque os americanos já demonstraram que são capazes de usar essas armas provocando uma destruição milhares de vezes maior do que a destruição provocada pelas queimadas feitas nas florestas do Brasil. Em seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos tem defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.”
Eveline lê: “Começemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha a posibilidade de ir a escola.”

Cristovam: “Internacionalizemos as crianças. Tratando-as todas elas, não importando o país onde nasceram como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes do mundo, tratarem as crianças pobres do mundo...”
Ubiranan lê: “Como patrimônio da humanidade...”

Cristovam: “Eles não vão deixar que elas trabalhem quando deveriam estudar nem que morram quando deveriam viver. Como humanista eu aceito...”
Raimundo lê: “Defender a internacionalização do mundo...”

Cristovam: “Mas enquanto o mundo me tratar como brasileiro, eu lutarei para que a Amazônia seja nossa. E só nossa!”

Gisela Mattoso, comenta: “Depois disso, não houve debate.”
Emília Queiroga acrescenta: “Acredito que as coisas que tem força, elas tem força por si próprias, é inevitável o impacto exponencial.”

Gisela Mattoso: “Achei que eu iria ouvir palavras como fronteira, soldados, policiamento, né? e tudo, e nenhuma palavra no sentido bélico assím surgiu naquele momento. Aqui que eu fiquei realmente assím com a alma lavada. Foi um momento muito especial e eu fiquei muito feliz e orgulhosa de ver um brasileiro alí dando uma resposta com tamanha sabedoria.”

O vídeo que está a seguir demonstra que o discurso existiu, que não é apenas uma lenda urbana com uma linda moral, porém foi um fato que aconteceu na realidade.
Como diz o dito popular, não todo o que brilha é ouro. E como disse Fedro, o escritor de fábulas romano: “Coisas não são sempre como parecem, a primeira aparição engana muitos. A inteligência de alguns é perceber o que foi cuidadosamente escondido.”



Investiguem sempre, não fiquem só com uma opinião de alguma coisa, perguntem sempre e nunca esgotem sua curiosidade.
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